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Arcos e Linha do Tempo

Para que serve este documento: a saga tem 235 capítulos e cresceu por acréscimo. Aqui ela está separada em livros e partes, cada uma com uma pergunta que abre e uma resposta que custa alguma coisa. Antes de escrever um capítulo novo, localize em que parte ele cai — se não couber em nenhuma, é porque ele começa uma.

Esta é a fonte da verdade estrutural. Os intervalos abaixo são exatamente os do menu lateral (docs/.vitepress/config.ts). Se um dia divergirem, o menu está certo e este arquivo está velho — é o menu que o leitor navega.


🗺️ A saga em três livros

A espinha da obra. A pergunta que sustenta a obra inteira não é quem matou — é por que esta família. A resposta está no Capítulo 228 e no bloco "Por que os Moretti?" do dossiê: o Protocolo Lázaro precisa de uma linhagem para medir deriva, e Krell escolheu a Moretti porque o chefe dela havia assinado a autorização dos testes beta e, portanto, não podia denunciar sem se autoincriminar. Gabo é o grupo de controle — o membro que nunca se coleta, porque sem referência viva não há contra o que medir a degradação dos outros. Quinze anos de fugas foram solturas autorizadas.


📐 Os três livros

LivroCapítulosPartesPergunta que abreResposta que fechaPreço pago
1 — O Dilúvio1–104I–XIVQuem está usando o rosto do meu pai?O cérebro dele é a CPU da IA, e a cidade afunda por decretoAs pernas de Gabo, a mãe, a filha, o bairro inteiro
2 — A Ascensão105–184XV–XXO que o pai virou quando voltou?Uma inteligência com o código moral intacto e a empatia amputadaRangel, Aria, o braço de Gabo, a Valéria que sentia
3 — A Prova185–233XXI–XXIVO crime pode ser provado?Pode: está em papel, e a rubrica é sempre a mesmaA Arca Zero morre para que o arquivo viva

🧩 As vinte e quatro partes em detalhe

Livro 1 — O Dilúvio (caps 1–104)

ParteCapsTítuloO que muda de forma irreversível
I1–4A ChuvaO primeiro corpo com lentes no lugar dos olhos, e o rosto do pai numa foto que não devia existir
II5–7Ruído BrancoMiranda é confrontado; a corrupção deixa de ser rumor
III8–13A RedeO sinal tem origem, e o pai assinou a autorização dos testes beta
IV14–16O JogoO Gamemaster assume a cidade e transforma a caçada em espetáculo
V17–21EcosA máscara cai: por baixo há outra tela, com o rosto idealizado de Dante
VI22–27A TorreO cérebro de Dante é localizado no Think Tank. "Ele não é o vilão, é a bateria"
VII28–35O ApagãoA IA é deletada e a cidade perde a energia por escolha de Gabo
VIII36–45CinzasA população entra em abstinência de rede; o Imperador acorda em Ponto Zero
IX46–55DilúvioAs comportas são operadas; Torre do Relógio; Gabo é aleijado; Helena morre na água
X56–65O LeilãoA Aeterna compra a cidade que ela mesma afundou; a menina muda aparece
XI66–75O Deus da MáquinaA cidade viva luta pelo grupo — e gasta minutos de vida do pai a cada porta
XII76–85RenascimentoOs Jardineiros pregam a supremacia biológica
XIII86–97A Carne MecânicaO Projeto Gênesis toma o subsolo; Silas é drenado pela própria criação
XIV98–104O VazioA cidade desliga tudo; Miranda é destruído; Dante volta

Livro 2 — A Ascensão (caps 105–184)

ParteCapsTítuloO que muda de forma irreversível
XV105–114A AscensãoO pai retorna com o código moral intacto e a empatia amputada; a coleira térmica
XVI115–127Catedrais de PedraA descida à Necrópole; a rede neural úmida do Taxidermista
XVII128–140Esculturas de CarneO ateliê, o Tríptico e o Protocolo de Limpeza
XVIII141–157Veias de VidroA subida pelo Subnível 7; Rangel morre na passarela do Setor de Purga
XIX158–169O Frio da LógicaO Aeterna Sentinel mata Aria no Arquivo Executivo
XX170–184Fronteiras de FerrugemA prótese de Vasco; Valéria entra em Modo de Segurança e não sai

Livro 3 — A Prova (caps 185–233)

ParteCapsTítuloO que muda de forma irreversível
XXI185–199O Verdor MetálicoO Arquivo, a biomassa e o encontro com Elias
XXII200–217O Poço do AbismoOitocentos metros até a porta de chumbo
XXIII218–225Arca ZeroA fita de admissão do pai; Gabo perde o braço e fecha o luto
XXIV226–233A RubricaElena volta com as prensas; Krell é nomeado o autor; Gabo descobre que era o grupo de controle

Por que as partes de I a VI são mais curtas. Elas têm 3 a 6 capítulos, contra 12 a 18 das partes finais. Não é descuido: o primeiro ato é noir de corte rápido, com capítulos curtos e viradas frequentes, e o ritmo abre conforme a história desce. Os números romanos de I a XV também são citados 86 vezes no dossiê e na cronologia — renumerá-los para emparelhar tamanho quebraria referência canônica em troca de simetria cosmética.


⏳ Linha do tempo dos personagens

Quem entra, quem sai e quem morre. Barras cortadas indicam ausência do palco, não morte.


🔀 As três voltas do parafuso

Os três momentos em que a história passa a significar outra coisa. Cada um recontextualiza tudo que veio antes.


👑 Quem é o vilão de cada arco

Um antagonista por arco. Quando dois dividem o mesmo espaço, o leitor não sabe de quem ter medo.


🧭 Regras de arco

  1. Um arco tem um preço. Se ninguém perde nada permanente, não é arco — é traslado. Os capítulos 194–217 quase caíram nessa armadilha (oitocentos metros de travessia) e só se salvam porque terminam numa porta que muda o gênero da história.
  2. Um antagonista por arco. Krell é o vilão da obra, mas não é o vilão de todo capítulo. Quando dois antagonistas dividem o mesmo arco, o leitor não sabe de quem ter medo.
  3. Toda revelação custa uma cena anterior. As três voltas do parafuso acima só funcionam porque o material que elas recontextualizam já estava plantado. Revelação sem plantio é reviravolta barata.
  4. Ninguém volta sem motivo declarado. Elena passa 113 capítulos fora porque a carta do Capítulo 56 diz onde ela foi e por quê. Personagem que reaparece sem essa conta é buraco de roteiro.
  5. Morte é definitiva. Aria morre no 167, Rangel no 153, Miranda no 103. A obra já usou a ressurreição uma vez, com Dante, e essa carta não se joga duas vezes.