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Capítulo 31: Ruptura Total
O vento a 50 andares de altura não apenas soprava; ele espancava, um predador invisível tentando arrancá-los da estrutura. Gabo olhou para o abismo escuro e chuvoso. Não havia para onde ir, exceto para baixo.
— T-minus 5 segundos para a purga! — avisou a voz automatizada da torre, abafada pelo vento.
— AGORA! — gritou Gabo.
Não houve tempo para pensar. Não houve tempo para rezar.
Elena terminava de prender Valéria, desacordada, nas costas de Gabo com um emaranhado de cabos de rede. Não era seguro. Não era um plano. Era a única opção.
— Não vai aguentar! — gritou Elena, sua voz quase perdida no uivo do vento. — Isso não foi feito para suportar nosso peso!
— Não temos escolha! — berrou Gabo de volta. Ele se agarrou a um feixe de cabos de fibra ótica que pendia da estrutura danificada, a outra ponta balançando solta no vazio. — É isso ou fritar no gás. No três... um...
Ele não disse "dois".
Gabo saltou.
A gravidade os puxou com uma violência brutal. Não foi uma descida, foi uma queda livre interrompida por espasmos de pânico. O feixe de fibra ótica deslizou por suas luvas, queimando o material sintético e a pele por baixo. O balanço descontrolado os arremessou contra a fachada de vidro e metal da Aeterna. Cada impacto era uma agonia, especialmente na perna quebrada de Gabo, que gritava em protesto.
Acima, uma fumaça verde e densa começou a vazar pelas janelas quebradas do andar 50. O gás. Escaparam por um piscar de olhos.
O prédio inteiro parecia estar se desintegrando. Painéis solares despencavam como guilhotinas. Drones de manutenção, agora sem controle, colidiam em explosões inúteis.
— A fibra está partindo! — gritou Elena, que se agarrava a um cabo paralelo alguns metros abaixo.
Eles estavam talvez no trigésimo andar. Uma queda mortal.
— Ali! — Gabo avistou uma varanda executiva no nível 28, uma pequena saliência na parede de vidro. — Temos que balançar!
Era um movimento suicida. Usaram o próprio peso e o impulso de um golpe de vento particularmente forte. Na primeira tentativa, passaram a metros de distância. Na segunda, os dedos de Elena roçaram a grade de metal. Na terceira, ela se lançou, um ato de fé cega, soltando o cabo e se agarrando à grade com a força do desespero. Ela conseguiu, caindo com um baque no terraço.
Gabo veio em seguida. O peso extra de Val quase o arrancou da estrutura. Seus dedos escorregaram, a pegada falhou. Por um instante, ele ficou pendurado por uma única mão. Elena se esticou e o agarrou pelo colarinho, puxando-o para a segurança com uma força que ela não sabia que tinha.
Eles desabaram no chão de mármore, ofegantes, a chuva começando a encharcá-los.
Dentro do escritório de luxo, o caos era um espelho do lado de fora. Executivos da Aeterna, a elite da cidade, corriam sem rumo, seus rostos iluminados por telas holográficas que agora exibiam apenas estática e os "fantasmas" que Val libertara — rostos digitais congelados em gritos silenciosos.
— O que diabos está acontecendo? — gaguejou um homem de terno caro, recuando ao ver o trio armado e ensopado.
— Fim do expediente — rosnou Gabo.
De repente, o prédio tremeu violentamente. Um som grave e profundo, como o gemido de um gigante morrendo, subiu das fundações da torre.
— Os reatores de fusão — sussurrou Val, recuperando a consciência nas costas de Gabo. — Sem o Gamemaster para regular a energia... o desligamento de emergência vai causar uma sobrecarga em cascata.
As luzes do escritório piscaram e morreram. Lá fora, através das janelas panorâmicas, a cidade começou a se apagar. Bairros inteiros piscavam e sumiam na escuridão, um após o outro, como velas sendo sopradas.
O "Apagão" tinha começado.
— Escadas! — gritou Elena, apontando para a saída de emergência. Os elevadores estavam mortos.
Eles se juntaram à debandada de funcionários em pânico. Na escuridão, não havia mais castas. Eram todos apenas ratos fugindo do navio que afundava.
