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Capítulo 44: O Que Saiu do Ralo

O depósito da Alfândega era um labirinto de containers empilhados. A água batia nos joelhos de Gabo e Elena enquanto eles avançavam com as lanternas táticas.

— Ali — apontou Elena. — Containers marcados com a cruz vermelha. Suprimentos médicos.

Eles avançaram. O silêncio era quebrado apenas pelo som da água e da chuva no telhado de zinco.

De repente, um barulho de metal sendo rasgado.

Gabo parou, levantando a mão.

Algo estava se movendo na água à frente deles. Não era um saqueador. O movimento era... errado. Rápido demais. Fluido demais.

Uma forma humanaoide emergiu de trás de um container. Tinha pele cinza, sem pelos. Guelras pulsavam no pescoço. Os olhos eram totalmente negros, sem esclera.

— O que é isso? — sussurrou Elena.

A criatura sibilou. Não era apenas um monstro. O rosto, distorcido e sem nariz, ainda tinha resquícios humanos. Uma tatuagem desbotada no ombro dizia "Mamãe". Ela usava restos de um uniforme de paciente da Aeterna.

— Por Deus... — Gabo baixou a arma por um segundo perigoso. — Eles não são criações novas. São os pacientes da ala de rejeitados. Eles... adaptaram.

— Experimentos de evolução forçada — disse Elena, com nojo e pena. — Quando a água subiu, eles não se afogaram. Eles mudaram.

A criatura saltou. Era incrivelmente rápida.

Gabo disparou. O tiro acertou o ombro da aberração, jogando-a na água escura. Sangue azulado manchou a superfície.

Mas outras surgiram. Três, quatro, cinco delas. Rastejando pelas laterais dos containers como lagartixas.

— Pegue a atropina! — gritou Gabo. — Eu seguro eles!

— São muitos!

— PEGA A PORRA DA CAIXA!

Ele disparou de novo, explodindo a cabeça de um que tentava flanquear Elena.

Eles eram rápidos, mas Gabo tinha o ódio. E uma calibre 12.

Foi um massacre lamacento. Gabo recarregava e atirava num ritmo frenético, seu joelho gritando a cada recuo. Elena arrastou duas caixas de suprimentos para o barco.

— VAMOS! — gritou ela, ligando o motor.

Gabo deu um último tiro e pulou para dentro do barco. Eles aceleraram, deixando para trás os gritos gorgolejantes das criaturas que devoravam seus próprios mortos.

— Eles não vão ficar no porto — disse Gabo, ofegante, limpando o sangue azul do rosto. — Eles vão vir para onde tem comida. Para os refúgios.