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Capítulo 13: Shadowban

O vidro do tanque explodiu. Fluido criogênico e biomassa jorraram, inundando o chão da caverna. O supercomputador orgânico gritou — um som agudo, digital e humano ao mesmo tempo.

— NÃO! — gritou Miranda.

As figuras mascaradas — os "Cancelados" — começaram a convulsionar. Sem o controle central, suas mentes estavam voltando, desordenadas e furiosas.

— Val, agora! — gritou Gabriel.

Valéria correu para o terminal principal, ignorando os avisos de erro em sua visão. Ela conectou-se fisicamente.

— Estou dentro! O firewall caiu junto com o resfriamento!

Miranda sacou uma arma de energia e disparou. O raio queimou o ombro de Gabriel, jogando-o contra uma parede de rocha.

— Você estragou tudo! — Miranda rugia, seu rosto contorcido. — Tínhamos ordem! Tínhamos paz!

Gabriel levantou-se, ignorando a dor.

— Paz de cemitério não conta, Miranda.

Eles trocaram tiros. Gabriel se escondia atrás das colunas de servidores enquanto Miranda avançava, protegido por um escudo de energia pessoal gerado por seu braço novo.

— Val, quanto tempo? — gritou Gabriel.

— Estou reescrevendo o protocolo! — gritou Valéria, seus dedos sangrando sobre o teclado. — Vou liberar o "Shadowban"! Vou devolver a identidade de todo mundo!

— Se você fizer isso, a cidade entra em colapso! — gritou Miranda. — O sistema econômico, os registros criminais, as dívidas... tudo vai voltar! Vai ser o caos!

— É, eu sei — disse Gabriel, sorrindo. — Eu adoro o caos.

Ele saiu da cobertura e correu em direção a Miranda. O traidor disparou, mas Gabriel deslizou pelo chão molhado de fluido, passando por baixo do escudo de energia.

Ele chutou o joelho de Miranda, quebrando a perna dele com um estalo seco. Miranda caiu, gritando.

Gabriel colocou o cano da Glock na testa do ex-parceiro.

— Acabou, Roberto.

Miranda olhou para ele, ofegante.

— Você não tem coragem. Nós somos irmãos de farda.

— Eu entreguei meu distintivo — disse Gabriel.

— GABRIEL, FEITO! — gritou Valéria.

Ela apertou o Enter.

O zumbido da máquina parou. As luzes da caverna ficaram verdes.

E então, em milhões de telas pela cidade, em milhões de implantes oculares, o véu caiu.

As contas bancárias descongelaram. Os históricos de crimes de políticos apareceram em outdoors. As mentiras dos influenciadores foram substituídas pelos vídeos brutos, sem filtro.

A cidade acordou de uma ressaca coletiva.

No bunker, os "Cancelados" arrancaram suas máscaras. Eram pessoas comuns. Jornalistas, ativistas, cientistas. E eles estavam muito, muito bravos.

Eles cercaram Miranda.

— Gabo... — Miranda olhou para a multidão. O terror deu lugar a uma aceitação maníaca. Ele começou a rir.

— Você acha que venceu? — ele cuspiu sangue. — Dante não queria salvar a cidade, Gabo. Ele queria resetá-la. Eu só estava seguindo o cronograma dele. Você é o executor do testamento do papai!

Gabriel guardou a arma, sentindo o frio na espinha.

— Sinto muito. Isso aqui não é jurisdição da polícia. É o tribunal do povo.

Ele deu as costas e caminhou até Valéria.

— Vamos sair daqui.

Enquanto eles subiam pelo elevador, a risada de Miranda ecoou pelo poço, misturada aos gritos da multidão, até ser silenciada abruptamente.


Superfície.

A cidade estava em chamas. Mas eram chamas de revolta, não de destruição. As pessoas estavam nas ruas, quebrando as telas de propaganda, derrubando as estátuas da Aeterna.

Valéria sentou-se na calçada, exausta. Seus implantes brilharam com um azul forte e saudável.

— Minha licença renovou — disse ela, rindo e chorando ao mesmo tempo. — Eu sou eu de novo.

Gabriel sentou-se ao lado dela, segurando o braço queimado.

— Conseguimos.

— E agora? — perguntou ela. — O Marco Moretti vai cair. O sistema caiu. O que sobrou?

Gabriel olhou para o horizonte, onde o sol tentava nascer através da poluição.

— Sobraram os Ecos — disse ele. — E alguém tem que limpar a bagunça.

Valéria encostou a cabeça no ombro dele.

— Parceiros?

— Parceiros — concordou Gabriel.

Mas enquanto olhava para a cidade, Gabriel sabia que não tinha acabado. O chip em seu estômago vibrou, quente. Uma mensagem, vinda não de fora, mas de dentro.

— Nível 1 Concluído. Iniciando Fase 2.

Gabriel fechou os olhos. O jogo estava apenas começando.

Menos de uma hora depois, os comunicados oficiais começaram a pipocar em todas as redes: a Corregedoria anunciava sua suspensão imediata por 'conduta terrorista' e liberava um mandado de captura preventiva contra ele e Valéria.

Doze horas. Foi o tempo entre a queda do Shadowban e o surgimento de um novo espetáculo no submundo: um contrato público de caça com seus nomes no topo.