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Capítulo 68: A Caçada Inversa

Delegacia do Distrito 4 - Cerco

A primeira parede cedeu com um estrondo que fez os dentes de Gabo vibrarem. Um Titã — um robô de três metros de altura, blindado como um tanque — atravessou o concreto, seus canhões rotativos girando.

Gabo não hesitou. Ele disparou a "Caronte" carregada com cartuchos perfurantes. As balas faiscaram na blindagem do Titã, arranhando a pintura, mas sem causar dano real.

— Recuar! — gritou Gabo.

Ele, Val e Aria correram para os fundos da delegacia. O Titã abriu fogo. As balas de grosso calibre transformaram as mesas e arquivos em serragem.

— Val, preciso de uma saída! — gritou Gabo.

— O sistema de segurança da delegacia está offline! O Dante não consegue acessar aqui, é analógico demais!

Eles estavam em um ponto cego da Cidade Viva. Uma relíquia do passado que a tecnologia não alcançava.

Roberto Miranda entrou pelo buraco na parede, flanqueado por dois CP-Z padrão. Ele parecia um demônio. O rosto estava queimado de um lado, lembrança da explosão na represa. Ele mancava, mas segurava um fuzil de assalto com a naturalidade de quem nasceu para matar.

— Fim da linha, parceiro! — gritou Miranda.

Gabo empurrou Val e Aria para dentro da sala de evidências e fechou a porta de aço, travando-a.

— Isso não vai segurá-los por muito tempo — disse Val.

A sala estava cheia de drogas apreendidas, armas velhas e dinheiro mofado.

Gabo olhou ao redor. Seus olhos pararam em uma caixa marcada "APREENSÃO #4099 - MATERIAL INFLAMÁVEL".

Eram explosivos plásticos caseiros. Coisa velha, instável.

— Val, consegue detonar isso remotamente?

— Posso improvisar um detonador com o meu deck, mas preciso de tempo.

— Eu compro o tempo.

Gabo pegou duas granadas de gás denso de um armário.

— Abra a porta no meu sinal.

Val assentiu, os dedos voando sobre o teclado holográfico.

— Três... dois... um... VAI!

Val destravou a porta. Gabo chutou-a, lançou as granadas e se jogou para o corredor, rolando.

O gás denso preencheu o espaço, cegando os sensores ópticos dos robôs. Mas Miranda atirava às cegas, e uma bala raspou a coxa de Gabo.

Gabo respondeu com a escopeta, mirando nas pernas dos CP-Z menores. Ele derrubou um.

O Titã avançou através do gás denso, imparável. Ele levantou o braço mecânico para esmagar Gabo.

Agora, Val!

Val jogou a caixa de explosivos pelo chão, deslizando-a como um disco de hóquei, direto para baixo do Titã.

Ela apertou o botão no deck.

A explosão foi contida, mas direcionada. A força bruta levantou o robô de três toneladas do chão e destruiu suas juntas inferiores. O Titã caiu com um som de metal torturado, bloqueando o corredor e separando Miranda de Gabo.

— Vamos! — Gabo levantou-se, ignorando a dor na perna.

Eles correram para a saída de emergência dos fundos, que dava para um beco estreito.

Mas o beco não estava vazio.

Estava cheio de... ratos.

Milhares deles. Um tapete vivo de roedores, parados, olhando para eles.

E gatos. E cães vira-latas.

Todos os animais de rua do distrito estavam ali, formando uma barreira entre eles e a saída do beco onde mais viaturas da Aeterna chegavam.

— O que é isso? — perguntou Val, recuando.

Aria deu um passo à frente.

O Exército dos Esquecidos — disse ela.

Os animais não atacaram Gabo. Eles se viraram para a entrada do beco, onde os soldados da Aeterna estavam desembarcando.

Quando os soldados avançaram, a maré de ratos e cães atacou. Foi um caos biológico. Os soldados gritavam, atirando no chão, enquanto eram mordidos e derrubados.

Gabo olhou para Aria.

— Dante controla até os ratos?

— Tudo que tem pulso elétrico ou coração nesta cidade é dele agora — respondeu a menina. — Vamos para o esgoto. É o único lugar que os satélites não veem.

Eles pularam em um bueiro aberto, descendo para a escuridão, enquanto acima deles, a natureza da cidade reclamava seu território contra a tecnologia invasora.