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Capítulo 80: A Autópsia de um Deus

Laboratório Subterrâneo da Torre Aeterna - 18:00 PM

O lugar onde Dante Moretti havia morrido — ou transcendido — agora era uma zona de quarentena. Dra. Nise liderava a equipe, vestida com um traje de proteção biológica completo. Gabo e Vilar observavam do vidro de segurança no nível superior.

— O que eles esperam encontrar? — perguntou Vilar. — O Gamemaster foi deletado. O tanque de Dante foi drenado.

— Eles não estão procurando software — respondeu Gabo. — Estão procurando hardware.

Lá embaixo, Nise manipulava um braço robótico para dissecar o que restava do grande servidor central, o "cérebro" físico que sustentava a IA.

Iniciando incisão no núcleo de processamento — a voz de Nise soou nos alto-falantes.

A lâmina laser cortou o revestimento de polímero. Mas em vez de circuitos e silício, um líquido espesso e escuro vazou.

— Sangue? — Vilar encostou a testa no vidro.

— Biogel — corrigiu Gabo. — Mas... oxidado.

Nise recuou o braço robótico.

Isso não é oxidação — disse ela, a voz tremendo levemente. — Olhem.

Ela ampliou a imagem no telão. Dentro da carcaça do servidor, crescendo sobre os chips quânticos, havia fungos. Minúsculos, bioluminescentes, pulsando em um ritmo cardíaco.

O sistema de resfriamento líquido... — teorizou Nise. — Alguém contaminou o suprimento de água da Torre. Esses fungos estão se alimentando dos dados.

— Como assim "alimentando dos dados"? — perguntou Gabo pelo intercomunicador.

Literalmente. Eles estão convertendo informação binária em massa biológica. Cada arquivo corrompido, cada memória perdida da cidade... virou isso.

De repente, o fungo no telão reagiu à luz da sonda. Ele se expandiu violentamente, lançando esporos contra o vidro da câmara de contenção.

Contenção! — gritou Nise. — Selar o laboratório!

As portas de emergência se fecharam. Os esporos batiam contra o vidro reforçado como insetos furiosos.

— Vilar, evacue o prédio — ordenou Gabo. — Isso não é um ataque hacker. É uma infecção.

Gabo correu para o painel de controle da porta, suas órteses metálicas estalando a cada passo pesado. Ele precisava tirar Nise de lá antes que o sistema de purificação — que provavelmente incineraria a sala — fosse ativado.

— Nise, vá para a câmara de descontaminação! Agora!

Não dá! — gritou ela. — Os controles manuais estão... cobertos por essa coisa!

Gabo olhou através do vidro. O fungo crescia a uma velocidade aterrorizante, cobrindo as paredes, devorando o metal. E no meio da massa pulsante, um rosto começou a se formar. Um rosto que Gabo conhecia.

Não era Dante. Nem o Gamemaster.

Era o rosto do técnico morto no hospital. O sorriso beatífico moldado em biomassa.

O Silêncio... — a boca de fungo se moveu, sem som, mas Gabo leu os lábios.

Ele socou o vidro, impotente, enquanto o sistema de purificação iniciava a contagem regressiva.

PURGA TÉRMICA EM 30 SEGUNDOS.