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Capítulo 74: O Sacrifício de Lázaro

Heliporto da Torre Aeterna

O vento uivava no topo do mundo inclinado. A chuva era horizontal, cortando como navalhas.

Um helicóptero tático preto, sem marcações, pairava a poucos metros do chão. A porta lateral estava aberta.

Homens de terno — os "Executivos" — estavam arrastando Aria para dentro da aeronave. Val estava caída no chão, sangrando de um ferimento na cabeça.

— Soltem ela! — gritou Gabo, saindo pela porta de acesso.

Ele não tinha munição. Não tinha armas. Só a fúria.

Um dos Executivos apontou um fuzil para Gabo.

— Fique onde está, Sr. Moretti. O ativo foi recuperado.

Aria olhou para Gabo. Ela não estava lutando. Ela estava calma.

Gabo — a voz dela ecoou na mente dele. — Eles não podem me levar.

— Eu não vou deixar!

Não. Eles não podem me levar porque eu não estou mais aqui.

Gabo parou.

O corpo de Aria começou a brilhar. Não a luz suave de antes. Mas uma luz intensa, cegante.

A rede não pode ser contida em um corpo — disse ela. — Eu preciso me espalhar.

— Aria, não! Se você fizer isso, você morre!

Eu não morro. Eu viro Ecos.

Os Executivos tentaram segurá-la, mas as mãos deles atravessaram o corpo dela como se ela fosse feita de pura luz e névoa digital.

Aria olhou para Gabo uma última vez.

Cuide da Val. Cuide da Cidade. Diga ao papai que eu o amo.

Aria explodiu.

Não foi uma explosão de fogo. Foi uma onda de choque de dados puros. Uma supernova digital.

O helicóptero perdeu todos os sistemas eletrônicos e despencou do heliporto, girando para o abismo abaixo.

A onda de luz varreu a cidade.

Cada tela, cada celular, cada outdoor em Baía Cinzenta acendeu com o rosto de Aria por um segundo.

Depois, apagou.

A Torre Aeterna ficou escura. O zumbido constante da cidade parou.

Silêncio. Apenas o som da chuva.

Gabo correu até Val e a abraçou, protegendo-a da chuva.

— Ela se foi? — perguntou Val, chorando.

Gabo olhou para o céu. As nuvens de poluição estavam se dissipando pela primeira vez em décadas. Uma estrela solitária brilhava lá no alto.

— Não — disse Gabo. — Ela está em toda parte agora.