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Capítulo 81: Sangue e Óleo
Corredor de Acesso, Torre Aeterna - 18:05 PM
O alarme de purga térmica berrava, uma sirene estridente que vibrava nos dentes de Gabo.
— Vilar, exploda a porta! — gritou Gabo, afastando-se do vidro reforçado.
— O sistema de segurança é independente! — Vilar tentava hackear o painel com seu terminal de pulso, mas a tela exibia apenas estática vermelha. — Aria não está respondendo!
Lá dentro, Nise recuava enquanto a massa fúngica avançava, cobrindo o braço robótico e subindo pelas pernas da mesa de dissecação. O calor começava a subir; as luzes de aviso giravam em laranja furioso.
Gabo não pensou. Ele sacou sua arma, mas não mirou no vidro — era à prova de balas. Ele mirou no conduto de ventilação acima da porta, onde os cabos hidráulicos estavam expostos.
Bang. Bang.
O fluido hidráulico espirrou, quente e oleoso. A porta de aço, sem pressão, soltou um estalo metálico e desceu alguns centímetros, travando torta.
— Ajude-me! — Gabo enfiou os dedos na fresta inferior da porta, o metal queimando suas luvas.
Vilar se juntou a ele. Com um esforço conjunto, os servos do braço mecânico de Vilar zumbindo no limite, eles conseguiram erguer a porta o suficiente para alguém passar rastejando.
— Nise, agora!
Dra. Nise correu, deslizando por baixo da porta segundos antes de o sistema de purga ativar.
Um rugido de chamas engolfou o laboratório. Através da fresta, Gabo viu o "rosto" de fungo ser consumido pelo fogo. Mas por um instante, antes de virar cinzas, a expressão não foi de dor. Foi de alívio.
A porta se fechou completamente com um estrondo final, selando o inferno lá dentro.
Nise estava no chão, tossindo, o traje de proteção chamuscado.
— Você está bem? — Gabo ajoelhou-se ao lado dela.
Ela arrancou o capacete, o rosto suado e pálido.
— Aquilo... — ela ofegou. — Aquilo não estava tentando me matar, Gabo. Estava tentando se comunicar.
— Se comunicar? Tentando te transformar em adubo, você quer dizer.
— Não. — Ela puxou algo do bolso do traje. Um frasco de amostra que ela conseguiu salvar. Dentro, um pedaço do biogel pulsava. — O padrão de crescimento. Não era caótico. Era... código. Código genético escrito em binário. Ou vice-versa.
Vilar olhou para o frasco com nojo.
— O que isso significa?
— Significa que a Aeterna não estava apenas criando IAs digitais — disse Nise, olhando fascinada e aterrorizada para a amostra. — Eles estavam tentando criar um hardware que se conserta sozinho. Uma máquina de carne.
— E conseguiram — concluiu Gabo, levantando-se. — Mas a máquina enlouqueceu.
Ele olhou para as próprias mãos. A cicatriz da cirurgia na coluna, onde o implante neural se conectava à medula, pulsou dolorosamente. Uma dor fantasma, ou um aviso?
— Temos que sair daqui — disse Gabo. — O fogo matou o mensageiro, mas a mensagem já foi entregue.
— Que mensagem? — perguntou Vilar.
Gabo olhou para o corredor escuro da Torre.
— Que a evolução não pede permissão.
