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Capítulo 85: O Sol Negro

Memorial do Dilúvio - 12:00 PM (Meio-dia)

Deveria ser o momento mais brilhante do dia. Mas quando Gabo, Val, Nise e Vilar emergiram do metrô na superfície do Memorial, o céu estava escurecendo.

Não era nuvem. Não era poluição.

Sobre o centro do parque, flutuando acima do antigo bunker submerso, havia uma esfera maciça. Parecia um tumor planetário. Feita de detritos, carros, pedaços de prédios e árvores arrancadas, tudo mantido junto por uma teia de biomassa negra.

Ela pulsava, absorvendo a luz do sol.

— O que é aquilo? — perguntou Vilar, baixando a arma, inútil diante da escala daquilo.

— É o coração — disse Gabo. — O coração da colmeia.

Drones da polícia tentavam se aproximar, mas caíam do céu assim que chegavam perto, seus circuitos fritados por um pulso EMP biológico.

Val caiu de joelhos, agarrando a cabeça.

— Aria... ela está gritando. Ela diz que está sendo... sobrescrita.

— Nise, o que aquela coisa faz? — perguntou Gabo.

— Fotossíntese reversa — teorizou Nise, olhando para seus instrumentos que enlouqueciam. — Ela está sugando a energia solar e convertendo em... dados. Em consciência.

A esfera, o "Sol Negro", emitiu um pulso. Uma onda de choque silenciosa varreu a cidade.

No mesmo instante, todos os hologramas de Baía Cinzenta falharam. As luzes da cidade piscaram e morreram. Os carros pararam.

O silêncio caiu. Um silêncio pesado, absoluto.

E então, a esfera começou a "chover". Mas não água. Esporos. Uma neve negra e cinza que caía suavemente sobre a cidade paralisada.

Gabo estendeu a mão e pegou um esporo. Ele se dissolveu em sua pele, deixando uma mancha que parecia tinta... ou necrose.

— Acabou o Renascimento — disse Gabo, olhando para a cidade que agora parecia uma tumba sob a sombra do Sol Negro. — A Era da Máquina acabou.

— E o que começa agora? — perguntou Vilar.

Gabo olhou para a esfera pulsante, que parecia um olho gigante observando-os.

— A Era da Carne.