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Capítulo 95: Sacrifício Necessário

Interior do Bunker "Projeto Gênesis"

O ar aqui embaixo era quente e úmido, como o interior de um pulmão. As paredes eram cobertas de carne sintética que crescia sobre o concreto.

Gabo, com suas órteses mecânicas zumbindo em falência térmica, e Valéria arrastavam o servidor. As rodas da maca haviam quebrado; eles o carregavam no braço agora.

— Gabo... — Val parou, ofegante. Ela olhou para o braço dela. Uma pequena flor roxa estava brotando em seu pulso.

Ela tinha sido arranhada lá fora.

— Não — disse Gabo.

— Vá — disse Val, soltando a alça do servidor. — Eu só vou te atrasar. O vírus já está se espalhando no meu sistema nervoso. Sinto meus dedos ficando... duros.

— Val, eu não vou te deixar.

— Você não tem escolha! — ela gritou, e sua voz já tinha um eco duplo, humano e vegetal. — A Grande Convergência começa em minutos. Se o Código Morto não rodar, eu vou virar uma planta de qualquer jeito. E você também.

Ela sacou suas duas pistolas.

— Vou segurar a retaguarda. Há coisas vindo pelo túnel.

Gabo olhou para ela. Valéria. A melhor hacker da cidade. Sua parceira. Sua amiga.

— Obrigado — foi tudo o que ele conseguiu dizer.

— Me faça um favor, Cowboy — ela sorriu, uma lágrima escorrendo pelo rosto que começava a ficar cinza. — Quando o mundo reiniciar... garanta que tenha um bom café.

Gabo assentiu. Ele levantou o servidor — que parecia pesar uma tonelada — e, ignorando os estalos e o ranger estridente das hastes de metal falhando em suas pernas, cambaleou para a câmara final.

Atrás dele, ouviu os tiros de Val começarem. E depois, o som de carne rasgando. Ele não olhou para trás.

Ele entrou no Salão Principal.

No centro, onde deveria estar o mainframe, havia uma árvore gigante feita de nervos e luz. E fundido ao tronco, um homem.

Silas Vance. Ou o que restou dele.

Você demorou, Detetive — a voz de Silas ressoou em todo o bunker. — Trouxe o presente?

— Trouxe a cura — disse Gabo, soltando o servidor no chão e sacando o cabo de conexão.

Cura? Eu sou a cura. A morte é a doença. Olhe para eles. Todos juntos. Todos eternos.

Gabo olhou para as raízes da árvore. Rostos. Milhares de rostos. Dante. O Prefeito Marco. Roberto. Todos absorvidos.

— Isso não é vida — cuspiu Gabo. — É um inferno de jardim botânico.

Ele conectou o cabo do servidor do Código Morto diretamente em uma porta de acesso na base da árvore biomecânica.

— Agora!