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Capítulo 72: A Ofensiva

Torre Aeterna - Em Queda

A sensação de gravidade mudando era nauseante. O prédio de duzentos andares gemia enquanto o metal se retorcia.

— Aria! — gritou Gabo, tentando se segurar em um corrimão.

A menina estava no centro da sala, flutuando a alguns centímetros do chão. A luz ao redor dela era ofuscante.

Estabilizando — disse a voz dupla de Aria/Dante.

Lá fora, a Cidade Viva reagiu.

Os prédios vizinhos à Torre Aeterna começaram a se mover. Pontes de ligação se estenderam. Guindastes autônomos giraram.

A cidade estava tentando segurar a torre.

Cabos de aço foram disparados de edifícios adjacentes, cravando-se na estrutura da Aeterna como arpões de baleeiros. A queda desacelerou, parando com um rangido ensurdecedor que estourou vidros por quilômetros.

A torre estava inclinada, apoiada nos ombros de seus vizinhos de concreto.

No Hub, Valéria se levantou, limpando o sangue da testa.

— Estamos vivos. Por enquanto.

O Santo estava ajoelhado, o vapor escapando de suas juntas sob pressão. Ele olhou para Gabo.

Vão — disse ele. — Satélites... 10 minutos.

— Você vem com a gente — disse Gabo.

Eu sou... pesado demais. Vou segurar... a porta.

Reforços da Aeterna estavam subindo pelas escadas de emergência.

Gabo assentiu. Kael tinha feito sua escolha.

Eles correram para o terminal principal. Val conectou o deck.

— Sem a biometria do Marco, não consigo cancelar o disparo — disse ela, em pânico.

Gabo olhou para o sistema.

— Não precisamos cancelar. Precisamos mudar o alvo.

— O quê? — Val olhou para ele.

— Aponte os satélites para o oceano. Para a base submarina do Projeto Dilúvio. Onde os servidores de backup estão.

— Gabo, isso vai destruir o legado do seu pai também! O backup dele!

— Meu pai está na cidade — disse Gabo, olhando para Aria. — O que está lá embaixo são só fantasmas corporativos.

Val sorriu.

— Mirando no fundo do mar.

Ela digitou as novas coordenadas.

No espaço, os satélites reajustaram seus giroscópios. As hastes de tungstênio, prontas para cair sobre a cidade, viraram-se para o oceano escuro.

Fogo — disse Gabo.

Val apertou o Enter.

Três riscos de fogo cortaram o céu noturno. Segundos depois, o horizonte marítimo brilhou com uma luz branca, seguido por uma coluna de água e vapor que subiu até a estratosfera.

O impacto causou um tremor que sacudiu a torre inclinada.

— Alvo destruído — confirmou Val. — A base submarina foi vaporizada. O Consórcio Lázaro acabou de perder seu cofre.

Mas a vitória durou pouco.

A porta do Hub explodiu para dentro.

Roberto Miranda entrou, caminhando sobre o corpo desativado do Santo. Ele segurava uma arma estranha, pulsante.

— Vocês são uma praga — disse Miranda. — E eu sou a cura.