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Capítulo 94: O Coração da Colmeia

Ruas de Baía Cinzenta - Manhã do Último Dia

O comboio era patético e heroico.

Na frente, Vilar e os remanescentes dos Puros abriam caminho com lança-chamas (a única arma eficaz contra o Jardim). No centro, Val empurrava uma maca hospitalar reforçada enquanto Gabo, arrastando o peso ruidoso de suas próteses de perna superaquecidas, ajudava a guiar a maca. Sobre ela, não havia um paciente, mas o servidor negro do Código Morto, conectado a baterias portáteis.

Dra. Nise ficara para trás para cuidar dos feridos e manter as defesas do hospital.

Na cabeça de Gabo, a voz de Aria sussurrou: Estou vendo... muitas cores. O mundo é tão... verde.

— Foca, Gabo — disse Val, disparando contra um "Cão" de raízes que saltou de um beco. — Guarde sua energia.

O caminho até o Memorial do Dilúvio era um pesadelo. Prédios haviam se curvado como árvores ao vento, formando arcos sobre as ruas. O chão era macio, esponjoso, respirando sob as botas deles.

— Estamos a 500 metros! — gritou Val, consultando um mapa desenhado à mão (GPS estava morto).

De repente, o chão se abriu.

Não foi um buraco. Foi uma boca.

Uma planta carnívora colossal, camuflada como asfalto, engoliu a vanguarda de Vilar. Homens gritaram enquanto eram dissolvidos por ácido digestivo.

— Vilar! — gritou Gabo.

O Capitão rolou para o lado, escapando por pouco, mas seu lança-chamas caiu na garganta da besta.

— Continuem! — rugiu Vilar, puxando um facão de cerâmica. — Eu seguro essas coisas!

Mais criaturas surgiram das paredes. Humanoides de casca de árvore, com espinhos no lugar de dedos. Eram os "Integrados".

— Não parem! — Vilar investiu contra eles, um guerreiro velho e caolho lutando contra a própria natureza.

Valéria e Gabo, com as engrenagens das pernas do detetive rangendo em protesto sob a ladeira íngreme, empurraram a maca ladeira acima, em direção à cúpula pulsante do Sol Negro que pairava sobre o Memorial.

A voz de Aria voltou, baixa, enviada diretamente pela rede fragmentada para o comunicador dele, quase um pensamento: Eles estão com dor, Gabo. As pessoas dentro das árvores... elas gritam em silêncio.

— Vamos acabar com isso — prometeu ele, sem saber para quem.

Eles chegaram à entrada do antigo bunker. As portas de aço tinham sido arrancadas. O túnel descia para a escuridão, pulsando com luz violeta.

— É aqui — disse Gabo. — O ventre da besta.