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Capítulo 97: O Último Suspiro

Baía Cinzenta - Uma Semana Depois

A neve negra cobria a cidade. Mas não eram esporos. Eram cinzas.

O Jardim havia morrido tão rápido quanto crescera. As plantas monstruosas secaram e viraram pó. As raízes que prendiam os prédios se desfizeram.

Gabo caminhava com a ajuda pesada das órteses pelas ruas silenciosas.

O sol estava brilhando. Um sol normal, amarelo, quente.

Ele chegou ao parque onde Val tinha caído.

Havia uma estátua lá agora. Não de pedra, mas de... madeira petrificada. Val estava ajoelhada, as armas em punho, congelada no momento de sua transformação. Mas a Praga tinha parado antes de consumi-la totalmente. Ela era uma figura cinzenta, imóvel.

Vilar estava lá, colocando uma flor — uma flor normal, uma margarida branca — aos pés da estátua.

— Nise diz que há atividade cerebral mínima em alguns dos "petrificados" — disse Vilar, sem olhar para Gabo. — Talvez... talvez um dia a gente descubra como trazê-los de volta.

— Talvez — disse Gabo. Ele não tinha tanta esperança.

Ele olhou para sua própria mão. A infecção tinha sumido, deixando apenas uma cicatriz em forma de raiz negra que subia pelo braço. Uma tatuagem permanente do fim do mundo.

— E agora? — perguntou Vilar. — Sem IA. Sem Gamemaster. Sem Jardim. Aeterna acabou. O governo acabou. Somos só nós e os escombros.

Gabo olhou para a cidade em ruínas. Era feia. Quebrada. Suja.

Mas era deles.

— Agora a gente reconstrói — disse Gabo. — Tijolo por tijolo. Sem deuses. Sem máquinas mágicas. Só suor e sangue.

— Vai demorar uma vida inteira.

— Temos tempo — Gabo sorriu, um sorriso cansado, mas genuíno. — Pela primeira vez em anos, Capitão... o tempo é nosso.

Gabo se afastou, com suas pernas mecânicas rangendo a cada passo em direção ao horizonte onde o mar encontrava o céu. O rádio em seu cinto chiou. Apenas estática. O som mais bonito do mundo.

Ele tirou o fone do ouvido e o jogou em uma poça d'água.

O silêncio, finalmente, era apenas silêncio.

FIM DA PARTE XIII