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Metadados
- Título: Necrópole
- Data In-Game: 23 de Novembro, 08:30
- Localização: Fundações da Velha Baía (Subsolo Profundo)
- Personagens Presentes: Gabo Moretti, Valéria Cruz, Aria (Glitch/Bia), Rangel (Inconsciente).
- Resumo: O grupo se encontra selado nas fundações antigas da cidade, um cemitério literal sobre o qual Baía Cinzenta foi construída. Gabo luta contra a exaustão e a tortura psicológica de Aria, enquanto Valéria tenta encontrar uma saída sem tecnologia. O estado de Rangel piora.
Narrativa
Capítulo 131: Necrópole
A porta de pressão selou o som da maré ácida lá fora, mas não o cheiro. O ar aqui dentro era seco, empoeirado, com um gosto de terra e ossos antigos.
Gabo deslizou pela parede de pedra bruta até o chão, o ranger de suas órteses mecânicas preenchendo o silêncio enquanto os músculos de suas pernas tremiam incontrolavelmente. O peso de Rangel, agora estendido no chão de terra batida ao seu lado, parecia ter deixado marcas físicas em seus ombros.
— Estamos seguros? — Valéria perguntou, sua voz ecoando baixo na escuridão. A luz de seu deck de pulso era a única iluminação, lançando sombras longas e distorcidas nas paredes irregulares.
— Ninguém está seguro em Baía Cinzenta — Gabo respondeu, a garganta seca como lixa. Ele levou a mão ao peito, apertando o Colar de Sol. O metal estava quente agora, aquecido pelo seu próprio corpo febril. — Mas estamos secos.
Aria caminhava pelo perímetro da câmara, seus passos leves não levantando poeira. Ela parou diante de uma parede onde nichos haviam sido escavados na pedra. Crânios e fêmures estavam empilhados ali, ordenados com uma precisão mórbida.
— Olha, Gabo — ela disse, a voz de Bia ecoando com uma inocência que fazia o estômago dele revirar. — Eles estão esperando por nós. É uma festa do pijama.
Gabo fechou os olhos. A imagem de um espaço confinado e cinza dançou em sua mente. A fumaça azulada do charuto de seu pai, a queimação nos pulmões, o pânico sufocante de ser trancado. Ele podia quase sentir o asfixiamento apertando a garganta.
Não.
Ele apertou o colar com força, cravando as bordas do sol estilizado na palma da mão até sentir a pele romper. A dor aguda clareou sua mente e espantou o fantasma.
— Valéria, verifique o Rangel — ele ordenou, abrindo os olhos. — E veja se consegue mapear este lugar. Se isso é a Velha Baía, deve haver túneis de contrabando.
— O sonar está inútil — Valéria respondeu, ajoelhada ao lado do inspetor. — A densidade da rocha bloqueia tudo. Estamos voando às cegas. E Rangel... a respiração dele está fraca. A sepse está avançando.
Gabo se levantou, ignorando os protestos de seu corpo. Ele caminhou até Aria, que acariciava a órbita vazia de um crânio.
— Aria — ele disse, firme. — Preciso da análise tática. Onde estamos?
A menina virou o rosto para ele. Por um segundo, os olhos heterocromáticos piscaram, o azul tático tentando sobrepor o castanho humano.
— Necrópole — ela disse, a voz oscilando. — Setor Zero. Fundação original de 1920. Profundidade: 120 metros abaixo do nível do mar. Probabilidade de colapso estrutural: 47%.
Ela sorriu, e o sorriso era de Bia.
— É onde enterravam os indigentes, amor. Aqueles que ninguém queria. Como nós.
Gabo segurou o braço dela. O material sintético era frio e duro sob a pele macia.
— Chega — ele rosnou. — Pare com isso.
— Parar com o quê? — ela inclinou a cabeça. — De dizer a verdade? Você sempre odiou a verdade, Gabo. É por isso que você tem tanto pavor do escuro. E do cheiro daquela fumaça.
Gabo soltou o braço dela como se tivesse queimado a mão. Ele recuou, a respiração ofegante.
— Vamos sair daqui — ele disse para a escuridão. — Nem que eu tenha que cavar com as próprias unhas.
Ele pegou a Caronte e verificou a munição. Uma bala.
— Vamos.