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Capítulo 92: A Praga de Ferro
Distrito Industrial - Setor dos "Puros"
O ataque não veio na forma de monstros ou soldados. Veio como uma doença.
Vilar estava limpando seu rifle quando a arma esfarelou em suas mãos. O metal, antes aço carbono temperado, virou pó vermelho em segundos.
— O que...? — Ele olhou para sua mão mecânica. Os servos travaram. A ferrugem se espalhava pelas juntas como gangrena rápida.
— Capitão! — gritou um dos tenentes. — As muralhas!
As barreiras de metal que protegiam o enclave dos Puros estavam se desintegrando. Carros, geradores, vigas de sustentação... tudo o que era feito de ferro ou aço estava oxidando em velocidade acelerada.
— É a Praga de Ferro — disse Vilar, arrancando sua mão protética inútil e jogando-a no chão antes que ela travasse em seu braço. — Eles estão acelerando a entropia do metal.
Sem as muralhas, o Jardim avançou.
Não eram soldados humanos. Eram bestas de biomassa. Cães feitos de raízes e dentes de pedra. Insetos gigantes com carapaças de queratina.
— Usem cerâmica! Plástico! Madeira! — gritou Vilar, puxando uma pistola de polímero impressa em 3D. — Esqueçam o metal!
O tiroteio começou. Mas as balas de chumbo também se desfaziam no ar, transformando-se em nuvens de pó tóxico antes de atingir os alvos.
— Recuar! — ordenou Vilar. — Para o Hospital! A estrutura lá é de concreto e polímero!
O enclave caiu em minutos. Os sobreviventes corriam pelas ruas, perseguidos pela selva viva. Vilar viu seu tenente ser agarrado por uma vinha que brotou do asfalto. O homem gritou enquanto era puxado para baixo da terra, para ser "integrado".
Vilar não parou. Ele tinha uma missão. Proteger Nise. Proteger o servidor.
Ele correu, sentindo o peso da idade e das cicatrizes. O mundo que ele conhecia, o mundo de aço e pólvora, tinha acabado. Agora era a lei da selva.
