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Capítulo 25: Elevador para o Inferno

O contraste era brutal. Eles saíram do esgoto vitoriano diretamente para o futuro estéril de um laboratório de alta tecnologia. O piso branco refletia suas silhuetas sujas e armadas.

— Estamos no subnível 5 — informou Valéria, consultando o deck. — Logística e Carga.

O alarme começou a tocar. Não uma sirene estridente, mas um pulso sonoro grave e luzes vermelhas que giravam suavemente. A Aeterna era elegante até em suas emergências.

— Eles sabem que estamos aqui — disse Elena.

— Ótimo — disse Gabo. — Cansei de me esconder.

Ele foi até um painel de controle e o esmagou com a coronha da escopeta.

— Onde fica o elevador principal?

— No final do corredor — apontou Val. — Mas Gabo, ele vai estar bloqueado. E cheio de guardas.

— Destranque o elevador. Deixe os guardas comigo.

Eles correram pelo corredor. Portas laterais se abriram e drones de segurança — esferas flutuantes com tasers e submetralhadoras — saíram zumbindo.

— Abaixa! — gritou Gabo.

Ele e Elena abriram fogo. O corredor virou uma zona de guerra de luzes estroboscópicas e balas traçantes. Valéria corria agachada, hackeando as portas para fechá-las na cara dos reforços que chegavam.

Eles chegaram ao saguão do elevador de carga. Era uma plataforma enorme, capaz de levantar caminhões.

Havia um esquadrão de segurança lá. Homens em armaduras táticas brancas, sem rostos, apenas visores espelhados.

— Rendam-se! — a voz amplificada do líder ecoou.

Gabo sorriu. Ele soltou a escopeta no chão e levou a mão às costas.

— Calma, rapazes! — gritou ele. — Só viemos entregar uma pizza!

Ele puxou a "Leviatã" de onde estava presa em suas costas. O lançador parecia grande demais, pesado demais.

Os guardas hesitaram por uma fração de segundo.

Gabo puxou o gatilho.

A ogiva de concussão atingiu o chão no meio do esquadrão. A explosão não foi de fogo, mas de força pura. Os guardas foram arremessados como bonecos de pano contra as paredes. A onda de choque estourou os vidros do saguão.

— Entrem! — Gabo correu para a plataforma, puxando Elena.

Valéria correu para o painel do elevador e conectou seu deck.

— Subindo! — ela gritou.

A plataforma deu um solavanco e começou a ascender rapidamente pelo poço gigantesco.

Eles viam os andares passando como borrões. Escritórios, laboratórios, servidores.

— Estamos indo para o topo? — gritou Elena sobre o vento do poço.

— Para a Antena — disse Gabo. — Nível 100.

De repente, a plataforma parou com um rangido metálico violento. Faíscas choveram sobre eles.

— O que foi isso? — perguntou Gabo.

— Cortaram a energia! — gritou Valéria. — Estamos no andar 80. Travados.

Gabo olhou para cima. O poço continuava por mais vinte andares na escuridão.

— Tem uma escada de manutenção — disse ele, apontando para a lateral do poço.

— Vinte andares? — Elena olhou para cima, desanimada.

— É melhor do que esperar aqui para sermos alvos de tiro ao alvo — disse Gabo.

Nesse momento, luzes vermelhas se acenderam nas paredes do poço acima deles.

— Gabo... — avisou Valéria.

Drones de combate pesados, do tamanho de motos, desciam em formação de ataque.

— Subam! — ordenou Gabo. — Eu dou cobertura!

Elena e Valéria pularam para a escada de metal na parede do poço. Gabo ficou na plataforma, recarregando a "Leviatã" com sua última cápsula de nitrogênio.

— Venham, seus liquidificadores voadores! — desafiou ele.

Os drones abriram fogo. Balas ricochetearam na plataforma. Gabo se escondeu atrás de uma caixa de carga. Ele esperou o momento certo.

Quando os drones se agruparam para o ataque final, Gabo se levantou e disparou.

A explosão iluminou o poço como um relâmpago dentro de uma garrafa. Metal retorcido e fogo choveram. A força do impacto quase jogou Gabo para fora da plataforma.

Ele correu e saltou para a escada.

Seu braço direito falhou. O ombro deslocado gritou, uma dor tão intensa que sua visão escureceu. Seus dedos escorregaram do degrau oleoso.

Ele ia cair. Oitenta andares de vazio.

— GABRIEL!

Uma mão agarrou seu pulso esquerdo. Elena. Ela estava debruçada na escada, segurando-o com uma força que ele não sabia que ela tinha. Valéria segurava as pernas de Elena.

— Eu peguei você! — gritou Elena, puxando-o. — Não se atreva a soltar!

Gabo encontrou apoio para os pés, ofegante, o suor frio misturando-se à fuligem em seu rosto. Ele olhou para cima. Elena, a mulher que ele jurou proteger, estava salvando sua vida.

— Só mais vinte andares — disse ele, a voz trêmula. — Acho que vou precisar de ajuda.

— Estamos juntos nessa — disse Elena.

A plataforma onde ele estava cedeu com os danos e despencou oitenta andares para a escuridão abaixo, colidindo com o fundo em um estrondo distante.

Gabo olhou para baixo, depois para cima, onde Elena e Valéria o esperavam, ofegantes. Ele começou a subir, um degrau de cada vez. Cada movimento do braço direito era uma tortura. A dor era uma faca quente girando na articulação, e seus dedos ameaçavam se soltar a cada novo apoio. Ele subia principalmente com a força do braço esquerdo e das pernas, o direito servindo apenas como um gancho instável.

— Gabo, você está bem? — gritou Elena, vendo seu progresso lento e doloroso.

— Ótimo — ele ofegou, o sarcasmo uma máscara fina sobre a dor. — Só mais vinte andares de aquecimento.

Ele continuou a subir, degrau por degrau. A dor era uma companheira constante, um lembrete do preço que cada luta cobrava. Cada metro conquistado era uma vitória não apenas contra a Aeterna, mas contra seu próprio corpo quebrado. O caminho para o céu, ele pensou com um humor sombrio, era pavimentado com seus próprios pedaços.

Eles continuaram a subir, em direção ao coração da máquina que devorava a cidade, um homem quebrado liderando o caminho.