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Capítulo 18: A Queda

A luta não foi justa. Nunca é.

O exoesqueleto do Gamemaster era rápido demais para seu tamanho. Um braço hidráulico atingiu Gabriel no peito, jogando-o contra o cenário holográfico de uma "Baía Cinzenta Feliz". O cenário piscou e desapareceu.

Gabriel cuspiu sangue. Três costelas quebradas. Talvez quatro.

Decepcionante, — zumbiu a máquina. — A audiência está caindo.

— Val... agora! — gritou Gabriel.

Valéria, pendurada no teto pelos cabos de dados, soltou-se. Ela caiu diretamente sobre a "cabeça" do exoesqueleto. Não com uma arma, mas com um disruptor de sinal que ela montara com o micro-ondas do apartamento de Gabriel.

Ela cravou o dispositivo na porta de acesso da máquina.

Erro de Sistema. Interferência Externa.

O exoesqueleto convulsionou. Gabriel aproveitou a chance. Ele correu e deslizou por baixo das pernas de metal, chutando os cabos hidráulicos expostos nos joelhos.

Óleo negro vazou. A máquina tombou de joelhos.

— Você não é meu pai — rosnou Gabriel, arrancando a placa frontal do processador. — Você é só um brinquedo quebrado.

Ele enfiou a mão nos circuitos e arrancou o núcleo de memória.

— O que você pegou? — gritou Valéria, saltando da máquina antes que ela explodisse.

— A chave — disse Gabriel, segurando um cilindro de dados brilhante. — Ou o mapa. Vamos descobrir.

Alerta de Autodestruição, — a voz do prédio anunciou. — Colapso estrutural em 10 segundos.

— O Gamemaster não gosta de perder — disse Valéria. — Ele vai derrubar a torre com a gente dentro!

Eles correram para a janela panorâmica. 150 andares de queda livre.

— Confia em mim? — perguntou Gabriel, pela segunda vez naquela semana.

— Eu odeio quando você pergunta isso!

Gabriel disparou contra o vidro com a arma que tomara de um drone caído. O vidro estilhaçou. O vento uivou, sugando tudo para fora.

Eles pularam.

Não para a morte, mas para os trilhos do Maglev que passava rente à torre.

Eles caíram no teto do trem em movimento, rolando violentamente. Gabriel segurou Valéria antes que ela escorregasse para o abismo, mas o impacto cobrou o preço.

Ele sentiu um estalo nauseante no ombro direito. O mundo ficou branco de dor. Seu braço pendeu inútil, o úmero deslocado, talvez fraturado. Ele gritou, o som perdido no vento do túnel.

A Torre de Emergência explodiu atrás deles, um fogo de artifício de bilhões de créditos iluminando a noite.

Eles estavam vivos. Valéria estava inteira. Mas Gabriel estava quebrado. A dor era um novo passageiro, e ela não ia descer tão cedo. Gabo embalou o braço inútil junto ao peito, a dor uma âncora pesada em sua consciência.

O trem mergulhou em um túnel, levando-os de volta para a escuridão, para o subsolo, para a Zona Morta. Onde a verdade os esperava.