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Capítulo 89: Memória Genética
Ruínas da Torre Aeterna - Zona Proibida
Apoiando-se fortemente no zumbido constante de suas pesadas órteses mecânicas, Gabo não deveria estar ali. A Torre era o epicentro da infecção, o local onde o "Sol Negro" pairava mais baixo. O ar era tão denso de esporos que parecia água suja.
Mas ele precisava de respostas. E a nova "internet" da cidade não estava em servidores, estava no sangue.
Ele arrastou seu peso arruinado até se aproximar de uma parede coberta por uma membrana pulsante de tecido biológico. Era o que restava do antigo banco de dados da corporação.
— Vamos ver se a teoria funciona — murmurou ele.
Gabo tirou a luva. Com a faca, fez um corte na palma da mão. Sangue vermelho e brilhante brotou.
Ele pressionou a mão ferida contra a membrana da parede.
A reação foi instantânea. Gavinhas saíram da parede e entraram no corte, misturando-se com suas veias. A dor foi excruciante, como se gelo líquido subisse pelo seu braço.
FLASH.
A visão de Gabo mudou. Ele não estava mais na ruína. Ele estava... em todos os lugares.
Ele viu através dos "olhos" das flores na praça central. Viu Vilar discutindo com seus tenentes no bunker. Viu Nise chorando ao lado do servidor do Código Morto.
Mas então, ele mergulhou mais fundo. Nas memórias armazenadas no DNA da cidade.
Visão: Um homem em um laboratório branco, anos antes do Dilúvio. Ele segurava uma placa de Petri com uma amostra de fungo negro.
"...A imortalidade não é digital, Marco. O upload da consciência falha porque a mente precisa do corpo. A carne é o hardware definitivo. Se quisermos viver para sempre, temos que nos tornar o câncer que não morre..."
O homem virou-se. Era um rosto que Gabo não conhecia, mas os olhos... os olhos eram familiares. Eram os olhos do Jardineiro.
Visão: O mesmo homem injetando o fungo em si mesmo. Seu corpo se contorcendo, a pele ficando cinza. Ele sorrindo enquanto as primeiras raízes saíam de seus dedos.
"...Projeto Gênesis. Fase 1: Saturação. Fase 2: O Dilúvio para hidratar. Fase 3: O despertar..."
Gabo gritou e puxou a mão. A conexão se rompeu com um som úmido.
Suas pernas já não suportaram o impacto. Ele caiu de costas com um baque metálico de suas próteses, ofegante, segurando o braço que agora tinha veias negras subindo até o cotovelo.
— Projeto Gênesis — ele sussurrou. — Aeterna não foi à falência. Eles evoluíram.
Ele tinha a resposta. Mas o preço... ele olhou para sua mão. A ferida não sangrava mais. Estava fechada com tecido verde-escuro.
Ele estava infectado.
