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Capítulo 37: A Linha Azul
O primeiro coquetel molotov atingiu as barricadas de concreto lá fora dez minutos depois. O fogo iluminou a noite sem lua, revelando a horda do Sindicato avançando pela avenida. Eram centenas. Motoqueiros, punks aprimorados, mercenários.
— Eles estão vindo! — gritou um sargento na janela.
Gabo estava no saguão, usando um megafone que achara no arsenal.
— Escutem! — Sua voz ecoou, rouca e autoritária. — Eles acham que porque as luzes apagaram, a lei acabou. Eles acham que somos presas fáceis. Jonas ia vender vocês. Eu não vou.
Os policiais olharam para Jonas, que estava encolhido em um canto, desarmado sob a vigilância de Elena. Depois olharam para Gabo.
— Nós temos munição — continuou Gabo. — Temos paredes grossas. E temos algo que eles não têm: disciplina. Ninguém entra aqui. Ninguém passa por essa porta. Hoje, nós desenhamos a linha.
Um rugido de aprovação subiu dos homens cansados. Era desesperado, mas era real.
— Posições! — gritou Elena, assumindo o comando tático com naturalidade. — Atiradores no segundo andar! Contenção no saguão! Equipe Charlie, cubra os fundos!
O tiroteio começou instantes depois. Foi ensurdecedor. Balas picavam a fachada da delegacia, arrancando pedaços de concreto. Vidros estilhaçavam.
Gabo se posicionou atrás de uma coluna no saguão, a "Caronte" pronta.
— Val, você está segura? — gritou ele pelo rádio de curta distância.
— Estou no cofre de evidências com os civis! — respondeu Val, a voz distorcida pela estática. — Gabo, o scanner sísmico do meu implante está pegando vibrações pesadas. Tem um caminhão vindo! Eles vão tentar arrombar a entrada!
Gabo olhou pela fresta da barricada. Um caminhão de lixo blindado com chapas de aço acelerava pela rua deserta, direto para as portas principais.
— Elena! O lançador de gás! — gritou Gabo.
Elena apareceu na varanda interna do segundo andar, com um lançador de granadas de gás lacrimogêneo de 40mm.
— Coma isso! — gritou ela, disparando.
A granada traçou um arco perfeito e entrou pela janela quebrada da cabine do caminhão. O gás denso explodiu lá dentro. O caminhão guinou violentamente para a esquerda, derrapando no asfalto molhado. Ele bateu com estrondo em um poste de luz, derrubando-o, e parou a poucos metros da entrada.
As barricadas aguentaram.
Gabo avançou, mancando, atirando nos mercenários que tentavam usar a carcaça do caminhão como cobertura.
BAM! BAM!
Cada tiro da 12 era um trovão que fazia os inimigos recuarem.
— RECUAR! — gritou alguém lá fora. — ELES ESTÃO ARMADOS PESADO!
O cerco durou a noite toda. Ataque após ataque, onda após onda. Mas quando o sol cinzento nasceu, iluminando as cápsulas de balas que cobriam o chão como um tapete de latão, a delegacia ainda estava de pé.
A linha azul não tinha sido cruzada.
