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Imagem do Capítulo

Metadados

  • Título: Cicatrizes de Cobre
  • Data In-Game: Pós-Colapso do Sentinel (Noite Eterna)
  • Localização: A caminho do Setor 7 (Complexo Hidropônico)
  • Personagens Presentes: Gabo, Valéria

Narrativa

Capítulo 177: Cicatrizes de Cobre

A carcaça fumegante de um tanque autônomo da Aeterna bloqueava o cruzamento principal do Distrito 4. Em volta dele, fogueiras químicas queimavam dentro de tambores enferrujados, exalando um fumo denso e escuro com cheiro de plástico derretido.

Seis figuras emergiram das sombras, o brilho das chamas refletido em facões de açougueiro e pedaços afiados de sucata automotiva. Saqueadores. Eles tinham os rostos cobertos por trapos imundos e os olhos dilatados de stim-pack barato.

O cheiro da fumaça química não era fumaça de cigarro, mas foi o suficiente. O trauma na cabeça de Gabo disparou a armadilha. A fogueira pareceu transformar-se na ponta acesa do charuto de Dante. O oxigênio fugiu de seus pulmões; a garganta fechou no terror paralisante da asfixia.

— Rota obstruída — declarou Valéria em um tom monocórdico, parando exatamente a dez metros do grupo. Seus olhos verdes escanearam a ameaça. — Modo de evasão recomendado. Probabilidade de sucesso em combate corpo-a-corpo: insuficiente devido a falhas motoras do usuário Gabo.

— Fica... para trás... — Gabo engasgou, as pernas mecânicas rangendo dolorosamente enquanto ele dava um passo à frente.

O pânico ameaçava engoli-lo inteiro, mas ele tinha uma âncora agora. Um demônio de aço pesado costurado no coto do braço direito.

O líder dos saqueadores riu, batendo o facão contra um cano de ferro. — O homem de lata quebrou. Deixem a garota com a gente e a gente corta a garganta dele rápido.

Gabo levantou o braço industrial. A prótese não tinha sutileza; pesava como um bloco de chumbo. Ele enviou o impulso de fechamento. Os servos gritaram, soltando faíscas. A dor que percorreu seu ombro em carne viva foi uma onda de choque cegante que quase o fez desmaiar, mas também desintegrou o fantasma do seu pai. O ar voltou.

Com a mente limpa pela agonia, Gabo avançou. O líder não esperava velocidade. Quando o saqueador tentou o golpe de facão, Gabo nem bloqueou; ele simplesmente jogou todo o absurdo peso de titânio do seu novo braço mecânico diretamente contra o rosto do homem.

O impacto soou como uma melancia estourando contra asfalto. O crânio do líder cedeu, arremessando-o para trás como um boneco de pano quebrado. A dor no ombro de Gabo o fez urrar — um som primitivo, molhado de sofrimento e ódio puro.

Os outros cinco saqueadores recuaram, o moral quebrado instantaneamente. A imagem de um homem banhado em sangue, urrando de dor mas capaz de esmagar cabeças com uma barra de demolição como braço não era algo que valia a pena enfrentar por restos. Eles correram para a escuridão.

Gabo caiu de joelhos. As pernas passivas travaram. Ele ofegava, puxando o ar imundo, grato pela dor latejante que lhe garantia que estava vivo.

Valéria caminhou calmamente até ele, pisando sobre o corpo do líder.

— Ameaça eliminada — disse a hacker, sua voz esvaziada de qualquer alívio. — Desvio de rota cancelado. Procedimento irracional, mas com êxito tático. Devemos prosseguir.

Gabo olhou para os olhos vazios dela. Ele estava virando a máquina, e ela havia virado o código morto.