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Capítulo 58: O Dilema do Capitão

Delegacia Central - Gabinete do Capitão

Jonas Vilar olhava para a garrafa de uísque sobre sua mesa como se fosse a única amiga que lhe restara. O escritório estava escuro, iluminado apenas pelo brilho das telas de monitoramento e pelo neon vermelho de um letreiro lá fora que piscava incessantemente.

Ele serviu um copo. A mão tremia levemente. Não de medo, mas de raiva contida.

O comunicador holográfico em sua mesa zumbiu.

— Aceitar chamada — disse Vilar, a voz rouca.

A imagem de Roberto Miranda surgiu, flutuando sobre a papelada acumulada. O ex-detetive, agora chefe de segurança da Nova Baía, parecia impecável em seu terno caro. O braço mecânico brilhava polido.

— Boa noite, Jonas. Ou devo dizer, Capitão Vilar?

— O que você quer, Roberto? Não tenho robôs sobrando para emprestar para sua guarda pretoriana.

Miranda sorriu. Um sorriso sem calor.

— Não quero seus robôs, Jonas. Quero sua aposentadoria.

Vilar franziu a testa.

— Do que você está falando?

Miranda fez um gesto, e um vídeo começou a rodar ao lado de sua cabeça. Eram imagens granuladas de câmeras de segurança.

A data era de dois dias atrás. Mostrava Vilar abrindo a porta dos fundos da delegacia. Mostrava Gabo Moretti entrando, ferido. Mostrava Vilar entregando munição e um kit médico a um fugitivo procurado.

Vilar sentiu o estômago gelar.

— Obstrução de justiça. Auxílio a terrorista. Conspiração. — Miranda listou os crimes como quem lê um menu. — Isso dá uns vinte anos na Colônia Penal, Jonas. Sem pensão. E sua neta... como ela vai ficar sem o avô para pagar a escola particular?

Vilar apertou o copo de uísque até os nós dos dedos ficarem brancos.

— Você está me grampeando?

— Estou protegendo a cidade de elementos corruptos. — Miranda inclinou-se para frente na projeção. — Mas eu sou um homem razoável. O Prefeito Moretti admira seu tempo de serviço. Ele está disposto a esquecer esse... deslize.

— Em troca de quê?

— Quero a localização atual de Gabriel Moretti. E a garota que está com ele.

Vilar olhou para o vídeo. Depois olhou para a foto de Dante Moretti na parede, ao lado de sua própria foto de formatura.

— Você quer que eu entregue o filho do meu melhor amigo para a morte.

— Ele já está morto, Jonas. Só esqueceu de cair. Você estaria fazendo um favor a ele. Acabando com o sofrimento.

Vilar tomou o uísque em um gole só. O líquido queimou sua garganta, limpando a hesitação.

Ele olhou para a câmera do comunicador.

— Roberto?

— Sim, Capitão?

— Vá para o inferno.

Vilar sacou seu revólver .44 Magnum e disparou contra o projetor holográfico. A imagem de Miranda explodiu em faíscas e vidro.

O silêncio voltou ao escritório.

Vilar abriu a gaveta e tirou uma caixa de munição antiga. Ele começou a recarregar o revólver, bala por bala.

— Eles vão vir — murmurou ele para a sala vazia. — Deixe que venham. Eu sou velho demais para aprender a me ajoelhar.

Ele pegou o rádio comunicador de frequência segura.

— Moretti? Se estiver ouvindo... saia da zona leste. Eles sabem que eu te ajudei. O acordo acabou. Agora é cada um por si. E, garoto... dê um tiro naquele bastardo do Miranda por mim.