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Capítulo 49: A Isca Perfeita

Capítulo 49: A Vigília

A chuva lá fora soava como estática de TV. Dentro do bunker médico improvisado, o único som era o bip rítmico do monitor cardíaco e o zumbido dos servidores refrigerando a sala.

Gabo estava deitado na mesa, pálido, enfaixado do peito aos pés. A Dra. Nise havia trabalhado por doze horas seguidas para remontar o que o Taxidermista havia esmagado. Dezoito fraturas. Pélvis, fêmures, vértebras lombares.

Valéria estava sentada no chão, de costas para a mesa de operação, com a submetralhadora "Vetor" no colo. Seus olhos não estavam no paciente; estavam na porta de aço reforçado.

— Você deveria dormir, Val — disse Nise, limpando o sangue das luvas.

— O sono é um app que eu desinstalei — respondeu Valéria, sem piscar. Seus olhos prateados varriam o espectro infravermelho, térmico e sonoro do corredor lá fora. — O Taxidermista não trabalha sozinho. Ele tem "clientes". E agora que o Gabo está fora de combate, eles virão terminar o serviço.

— Quem?

— Todos eles. O Sindicato. Os mercenários da Aeterna. — Val engatilhou a arma. — Gabo chutou o formigueiro, e agora a rainha mandou as operárias limparem a bagunça.

Um sensor de movimento apitou silenciosamente na lente de contato de Val.

Três assinaturas de calor no corredor leste. Movimento tático. Armamento pesado.

Valéria se levantou. Seu cabelo holográfico, geralmente um show de luzes neon, estava fixo em um vermelho sólido e estático. Modo de Combate.

— Nise, apague as luzes. Fique no chão.

— O que você vai fazer? — perguntou a médica, a voz trêmula.

Valéria conectou seu deck à rede de segurança do prédio. As câmeras do corredor se apagaram. As travas magnéticas das portas laterais se abriram.

— Vou mostrar a eles por que você nunca deve tentar desligar o computador de um hacker.

Ela saiu para a escuridão do corredor.

Os três assassinos avançavam com óculos de visão noturna, silenciadores erguidos. Eles não viram Valéria. Eles viram apenas fantasmas digitais — projeções holográficas que Val espalhou pelo corredor para confundi-los. Quando dispararam contra as sombras, Valéria disparou contra a carne.

Foi rápido. Brutal. Silencioso.

Valéria voltou para a enfermaria minutos depois, limpando uma mancha de sangue da bochecha. Ela se sentou novamente ao lado de Gabo, pegou a mão inerte dele e entrelaçou seus dedos cibernéticos nos dedos calejados dele.

— Ninguém toca nele — sussurrou ela para a escuridão. — Ninguém.

Gabo continuou dormindo, alheio à anja da morte que velava seu sono. A dívida de sangue estava apenas começando a ser paga.